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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Primeira vacina inalável contra o Ebola é capaz de proteger primatas do vírus, podendo abrir possibilidade de ser usada em humanos


Os locais mais difíceis na luta contra surtos de Ebola estão recebendo equipes de médicos profissionais treinados, a fim de ajudar a combater a propagação do vírus.
Uma nova pesquisa sobre a primeira vacina inalável contra o ebola do mundo pode acarretar em um método mais rápido, menos oneroso e potencialmente sem risco de imunizar as pessoas em risco, no futuro.

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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Brasil cria a primeira vacina contra esquistossomose



Por Tainah Medeiros

O Brasil criou e vai produzir a primeira vacina contra esquistossomose, doença crônica causada pelo parasita Schistosoma . Após 37 anos de pesquisa, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), responsável pelo desenvolvimento e teste do imunizante, anunciou nesta terça-feira (12/06/2012) que a vacina  foi aprovada nos testes clínicos, feitos com 20 voluntários.

O imunizante foi produzido a partir da proteína Sm14, extraída do próprio parasita Schistosoma mansoni. Ela funciona como antígeno, substância que estimula a produção de anticorpos e impede que o parasita se instale no organismo.

* Fique atento aos sintomas e às formas de prevenção da esquistossomose

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a esquistossomose é a segunda doença parasitária que mais mata no mundo, atrás apenas da malária. O parasita afeta atualmente 200 milhões de pessoas em áreas sem saneamento básico, e tem potencial para atingir 800 milhões de indivíduos em todo o mundo, principalmente nos países da África, da América Central e no Brasil — em especial no nordeste e em Minas Gerais.

Os pesquisadores responsáveis pela criação da vacina acreditam que será possível  imunizar a população dos locais mais expostos à epidemia no mundo dentro do prazo máximo de cinco anos.

A criação dessa vacina, que é também o primeiro imunizante para vermes, coloca o Brasil em uma posição de destaque no campo da ciência mundial.
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Epidemias concomitantes por Dr. Drauzio Varella


Aids e hepatite B caminham de mãos dadas pelo mundo.
Tanto o HIV — causador da Aids –, quanto o HBV — causador da hepatite B – podem provocar doenças crônicas, câncer e mortes precoces. A coinfecção pelos dois vírus potencializa os malefícios de cada um deles.
Mundialmente, a infecção crônica pelo HBV é a principal causa de hepatite crônica e uma das principais causas de morte. Ela é responsável por metade de todos os casos de cirrose hepática e de hepatocarcinoma, o câncer do fígado.
Há cerca de 400 milhões de pessoas portadoras de hepatite B crônica, espalhadas pelos cinco continentes, a maioria das quais concentradas na Ásia e na África. Nessas regiões, os inquéritos mostram que até 70% dos adultos entraram em contato com o HBV, e que 8% a 15% desenvolveram hepatite crônica. Existem cerca de 100 milhões de pessoas com hepatite B crônica, apenas na China continental.
Esses números refletem a incapacidade de conter a transmissão materno-fetal do vírus, uma vez que a maioria das infecções nas áreas de maior endemicidade é adquirida no período neonatal, através do contato da criança com os familiares, ou por meio de procedimentos médicos, religiosos ou de cunho cultural que empregam agulhas e outros instrumentos contaminados.
Enquanto menos de 5% dos adultos que entram em contato com o HBV, por meio do sexo ou da exposição a instrumentos perfuro-cortantes, desenvolvem a forma crônica da doença, a infecção perinatal está associada a um risco de 90%. A maior parte dos que adquiriram o vírus dessa forma chega às fases finais de cirrose e câncer de fígado ao redor dos trinta ou quarenta anos.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, existem 33 milhões de pessoas infectadas pelo HIV, o vírus da Aids. Cerca de 10% dessa população são também portadores de infecção crônica pelo HBV. Em áreas endêmicas da Ásia e da África, a concomitância das duas infecções pode chegar a 25%.
Nos países com prevalência mais baixa de ambas viroses, nos quais HBV e HIV são adquiridos quase sempre na vida adulta por via sexual ou uso de agulhas contaminadas, a prevalência da infecção dupla costuma estar abaixo de 10%, número que pode subir para 50% entre os usuários de drogas injetáveis.
Mundialmente, o número de portadores da coinfecção crônica HIV/HBV é estimado entre três e seis milhões.
A coinfecção aumenta a morbidade e a mortalidade associada a cada um dos vírus isoladamente. Pessoas HIV-positivas que adquirem o HBV evoluem para hepatite B crônica cinco vezes mais depressa do que as infectadas unicamente pelo HBV e correm risco mais alto de desenvolver cirrose e hepatocarcinoma.
Mulheres infectadas pelos dois vírus, correm mais risco de transmiti-los para seus filhos do que as portadoras de apenas um deles.
A depressão imunológica causada pelo HIV compromete a eficácia da vacinação contra o HBV.
A vacinação dos bebês contra a hepatite B é eficaz: protege cerca de 70% dos vacinados. Se ao mesmo tempo a criança receber a imunoglobulina contra a hepatite B, a proteção chega perto dos 90%. A dificuldade está no custo da imunoglobulina. Em 2006, por exemplo, nos países de prevalência mais alta da hepatite B, a cobertura vacinal da primeira dose após o nascimento foi de apenas 36%.
Enquanto o tratamento antiviral administrado a mulheres grávidas portadoras do HIV reduz a transmissão perinatal do vírus da Aids a níveis próximos de zero, o uso de antivirais contra a hepatite B na gravidez foi avaliado apenas em ensaios clínicos com pequeno número de casos. Apesar dessa limitação, os resultados são promissores.
O ideal é que todas as mulheres façam os testes para Aids e hepatite no período  pré-natal. As que apresentarem resultados positivos devem receber tratamento adequado. A estratégia de usar dois medicamentos com atividade antiviral contra o HIV, que também sejam ativos contra o HBV, tem sido estudada com maior interesse.
No Brasil, a vacinação dos bebês contra a hepatite B faz parte do programa nacional.


Fonte: Dr. Drauzio Varella
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Vacinação infantil



Gabriel Oselka é médico, professor de Pediatria na Universidade de São Paulo e presidente da Comissão de Imunizações da Secretária de Saúde do Estado de São Paulo.

As vacinas foram criadas para ensinar o sistema imunológico a reconhecer agentes agressores que podem provocar doenças, assim como para ensiná-lo a reagir produzindo anticorpos capazes de combatê-los. Na preparação das vacinas, pode ser utilizado um componente do agente agressor, ou seja, o próprio agente agressor numa forma atenuada, ou morto, ou outro agente que seja semelhante ao causador da doença.
No Brasil, um dos programas de maior sucesso do Ministério da Saúde é o Programa Nacional de Imunizações. Pode-se dizer, hoje, que a imensa maioria das crianças brasileiras recebe regularmente vacinas contra quase todas as doenças graves. A eficiência desse programa chegou a tal ponto que certas enfermidades desapareceram por completo ou estão desaparecendo das clínicas médicas e hospitais. A poliomielite é um exemplo indiscutível de doença que desapareceu do cenário nacional graças a esse programa de imunização.
PRIMEIRAS VACINAS
Drauzio – O Programa Nacional de Imunizações recomenda que a vacinação comece muito cedo. As primeiras vacinas devem ser dadas ainda na maternidade?
Gabriel Oselka – A ênfase do Programa Nacional de Imunizações é exatamente essa, que a vacinação comece na maternidade com duas vacinas: a BCG, vacina contra a tuberculose, e a vacina contra hepatite B.
São vacinas injetáveis. A BCG é aplicada por via intradérmica e a vacina contra hepatite, no músculo da coxa do bebê.
Drauzio – Todas as crianças brasileiras recebem essas duas vacinas?
Gabriel Oselka – Eu diria, sem receio de errar, que o sucesso alcançado pelo Programa Nacional de Imunizações se deve, entre outras razões, ao número elevadíssimo de coberturas vacinais. Cobertura vacinal significa a porcentagem de crianças que efetivamente recebe as vacinas. No caso específico da BCG e da vacina contra a hepatite B, bem mais de 90% das crianças são vacinadas contra essas doenças no Brasil.
Drauzio – E as crianças que nascem em casa nesses rincões do Brasil, como se garante que serão vacinadas?
Gabriel Oselka  Felizmente, esses casos têm sido reduzidos substancialmente ao longo dos anos. Quando a vacina não é feita na maternidade, a recomendação é que a criança seja levada o mais depressa possível a um centro de vacinação para receber as doses iniciais e que o programa sequencial de vacinação seja mantido.
Drauzio – Quando a mãe sai da maternidade com o bebê, pode ficar tranquila porque o bebê já tomou essas duas vacinas?
Gabriel Oselka – Infelizmente não é tão simples assim, porque nem todas as maternidades adotam a conduta de vacinação nos primeiros dias de vida da criança. Eu diria que esse é um objetivo de médio prazo para o Ministério da Saúde. Por isso, cabe às mães a iniciativa de perguntar se a criança tomou ou não as duas vacinas. Embora essa informação devesse fazer parte da rotina dos hospitais, nem sempre ela é fornecida.
Portanto, repito: se a criança não tomou as vacinas na maternidade, deve ser levada com uma ou duas semanas de vida a um posto de saúde para que o programa de vacinação seja iniciado logo.
Drauzio – Vamos admitir que a criança tenha tomado as vacinas contra a tuberculose (BCG) e contra a hepatite B na maternidade. Quando deve tomar as doses de reforço?
Gabriel Oselka – No Estado de São Paulo, BCG é dado em dose única, mas em muitos outros estados recomenda-se a aplicação de uma segunda dose na idade escolar, ou seja,  a partir dos 6 ou 7 anos até os 10 anos de idade.
Em relação à vacina contra a hepatite B, são necessárias mais duas doses para garantir o efeito desejado: a segunda aos dois meses e a terceira aos seis meses. Esse esquema de três doses tem validade por toda a vida, isto é, a proteção da vacina contra hepatite B é definitiva.
ESQUEMA DE VACINAÇÃO
Drauzio – Quais são as outras vacinas que a criança deve tomar nesse começo de vida?
Gabriel Oselka – A sequência do esquema de vacinação envolve, aos dois meses de idade, a vacina tetravalente, que consta da vacina tríplice contra difteria (ou crupe), coqueluche (ou tosse comprida) e tétano e que já é aplicada há décadas no Brasil, e da vacina contra a bactéria chamada Haemophilus influenzae, pouco conhecida pela população e mesmo pelos médicos, mas que causa doenças graves, como meningite e pneumonia, em criança pequena. Essa vacina foi acrescentada recentemente ao programa de vacinação e é aplicada junto com a tríplice numa única injeção. Geralmente nesse mesmo dia, a criança recebe a vacina Sabin contra a poliomielite, a famosa gotinha dada por boca.
A proteção que essas vacinas oferecem não se completa na primeira dose. São necessárias doses adicionais. A vacina tríplice requer mais duas doses no primeiro ano de vida, aos quatro e aos seis meses, um reforço quando a criança tem um ano e meio e outro por volta dos cinco anos.
Quanto à vacina contra o Haemophilus influenzae, o programa brasileiro prevê apenas a aplicação de três doses: a primeira aos dois meses, a segunda aos quatro e a terceira aos seis meses.
Em relação à vacina oral contra a poliomielite, ela segue o mesmo esquema da tríplice: a segunda dose aos quatro meses, a terceira aos seis meses, um reforço com um ano e meio e último aos 5, 6 anos.
Drauzio – Os pais das crianças precisam ter esse cronograma na cabeça?
Gabriel Oselka – Não precisam, mesmo porque o esquema não se limita a isso. Há outras vacinas. O serviço de saúde conta com diferentes mecanismos para lembrar as pessoas de que as vacinas têm uma sequência a ser obedecida. Apesar disso, às vezes, a data prevista para a vacinação é perdida. Nesse caso, é importante frisar que as doses anteriores não perdem a validade. Por exemplo: foi dada a dose inicial das vacinas tetravalente e da Sabin aos dois meses de idade. A segunda dose deveria ter sido dada aos quatro meses, mas, por uma razão qualquer, a mãe só pôde levar a criança ao posto quando tinha oito meses. Nesse momento, ela tomará a segunda dose e será marcada a data para aplicar a terceira. Um atraso pequeno não interfere no processo. Quando a criança completar o número de doses recomendado, a imunização provavelmente será tão boa quanto seria se os intervalos entre uma aplicação e outra tivessem sido respeitados.
OUTRAS VACINAS IMPORTANTES
Drauzio – Além das vacinas BCG, contra a hepatite B, da tetravalente e da Sabin, a criança deve receber outras vacinas?
Gabriel Oselka – Nas regiões consideradas endêmicas, ou seja, onde a doença existe e ocorre sistematicamente (regiões Centro-Oeste e Norte, no Estado de Minas Gerais e em algumas poucas localidades de outros estados brasileiros), a recomendação é fazer a vacina contra a febre amarela a partir dos nove meses de idade. Em alguns lugares, ela é feita quando a criança tem por volta de um ano. Embora se acredite que a proteção que determina seja de mais longa duração, recomenda-se que a vacina contra a febre amarela seja repetida a cada dez anos.
Faz parte também do programa de vacinação infantil uma vacina combinada contra sarampo, caxumba e rubéola, importante não só por sua eficácia, mas também pela gravidade das doenças que pretende proteger, particularmente o sarampo que até alguns anos atrás era o principal agente infeccioso causador de mortes em crianças. Essa doença está tão controlada que as gerações mais jovens, num futuro próximo, talvez nem saibam que doença é essa nem os danos que pode causar.
Drauzio – Não faz muito tempo, o sarampo era considerado uma doença banal que acometia as crianças.
Gabriel Oselka – Era considerada banal, embora seja potencialmente uma doença muito grave a ponto de, não faz muito tempo, ser a principal causa de morte nas crianças brasileiras, o que acontece ainda hoje em muitas regiões do mundo.
No Brasil, a vacinação contra o sarampo obteve um resultado extraordinário. Desde o ano 2000, não há registro de casos da doença adquirida no país. Os pouquíssimos que existem foram adquiridos no exterior. Se me dissessem, há dez anos, que isso iria acontecer, eu não acreditaria.
Drauzio – Na minha geração, sarampo era uma doença praticamente obrigatória nas crianças.
Gabriel Oselka – A doença é tão contagiosa – essa é uma das características do sarampo – que era praticamente certo que a criança teria sarampo antes de chegar à puberdade.
Drauzio – Você acha que vamos eliminar o sarampo do cenário nacional com esse programa de vacinação?
Gabriel Oselka – Acredito que sim. O sarampo tem uma característica que permite sua eliminação. Ele só acomete seres humanos, ou seja, não existem reservatórios em animais ou na natureza que abriguem o agente infeccioso. Isso significa que, se conseguirmos proteger as pessoas, a doença poderá ser erradicada.  É o que aconteceu com a varíola e está acontecendo com a poliomielite no Brasil.
Nas Américas, o controle do sarampo é muito efetivo e, embora existam muitos casos no mundo, acredito que será possível controlá-lo completamente.
Drauzio – Em que idade deve ser administrada a vacina contra sarampo, rubéola e caxumba?
Gabriel Oselka – A partir de um ano de idade. Em 2003, o Ministério da Saúde recomendou que a segunda e última dose, fosse dada por volta dos cinco anos, ou um pouco antes, para garantir que as pouquíssimas crianças que não se protegeram com a primeira dose tenham uma segunda chance para defender-se contra essas doenças.
Essa decisão foi tomada porque ainda não existe vacina que seja totalmente eficaz. Embora estejamos muito perto de consegui-la, não há garantia absoluta de que a pessoa vacinada não contraia a doença, se entrar em contato com o micróbio causador da enfermidade.
HORA DO REFORÇO
Drauzio – Que vacinas devem ser administradas depois que a criança fez um ano?
Gabriel Oselka – Depois dessa idade, é preciso fazer alguns reforços como o da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola aos cinco anos e o da tríplice, quando a criança tem um ano e meio e, mais tarde, aos cinco anos. Em relação à poliomielite, feito o reforço dos cinco anos, não há mais necessidade de repeti-lo.
Recomenda-se também o reforço da vacina dupla contra difteria e tétano a cada dez anos. Portanto, quem seguiu rigorosamente o esquema terá feito um reforço aos cinco anos e deve repeti-lo aos 15, 25, 35, e assim sucessivamente. A vacina contra a febre amarela também requer doses de reforço a cada dez anos, especialmente nas regiões onde há risco da doença.
Para as outras vacinas do esquema não se recomendam reforços. A da hepatite B, por exemplo, termina com as três doses dadas antes de a criança completar um ano.
VACINAS FORA DO ESQUEMA
Drauzio – Essas vacinas constituem um pacote absolutamente obrigatório para todas as crianças e, felizmente, podemos contar com o Programa Nacional de Imunizações, citado como exemplo no mundo todo, que garante vacinação para a imensa maioria das crianças brasileiras. No entanto, hoje existem vacinas que não fazem parte desse esquema básico. Quais delas você incluiria no Programa?
Gabriel Oselka – Esse é o grande desafio do Programa Nacional de Imunizações que vem progressivamente implantando novas vacinas e ampliando seu espectro de cobertura.
Há alguns anos, foram introduzidas as vacinas contra hepatite B e contra o Haemophilus influenzae. No entanto, existem outras vacinas disponíveis comercialmente que ainda não foram incluídas no esquema. Na verdade, o fator limitante para sua inclusão é a disponibilidade de recursos. São vacinas muito caras e que ainda não são produzidas no Brasil. No momento, o desafio do Programa Nacional de Imunizações é tornar disponível para toda população infantil as vacinas contra o pneumococo, o meningococo C, a varicela ou catapora e contra a hepatite A.
Sem respeitar uma ordem de prioridade, eu citaria a vacina contra o pneumococo, diferente da que se usa em idosos e em pessoas com doenças pulmonares e cardíacas.
Essa vacina poderia ser dada a partir dos dois meses de idade para proteger contra formas graves de doenças causadas por essa bactéria, especialmente meningite e pneumonia. A vacina contra o meningococo C, que também pode ser administrada depois dos dois meses, oferece proteção contra a meningite C.
Além dessas, duas vacinas importantes podem ser dadas a partir de um ano de idade: a vacina contra catapora e a vacina contra a hepatite A, uma doença mais benigna do que a hepatite B, que se adquire em alimentos contaminados e no contato interpessoal.
VACINA CONTRA CATAPORA
Drauzio – Muita gente não sabe que existe vacina contra catapora.
Gabriel Oselka – Muita gente não sabe, mas muita gente sabe e acha que não vale a pena tomar a vacina porque catapora é uma doença benigna. Lamentavelmente, muitos médicos também pensam assim e transmitem esse conceito para seus pacientes.
Embora catapora seja uma doença habitualmente benigna, é impossível prever num caso específico, no seu filho, por exemplo, se a doença vai ser benigna ou não.
Há um mito que de certa forma tranquiliza as pessoas – “Ah, meu filho é bem cuidado, bem nutrido, não vai ter nada disso. Doença grave não é para gente forte como meu filho”.
Quanto engano! Não é assim que as coisas acontecem. Em 2003 e começo de 2004, só no Estado de São Paulo, ocorreram 40 mortes de crianças por varicela, ou catapora, porque a doença ocorre em larguíssimos números todos os anos. Complicações hepáticas, neurológicas e respiratórias podem estar associadas a essa doença. Além disso, as feridinhas banais da catapora podem ser infectadas por bactérias agressivas e produzir uma infecção generalizada gravíssima conhecida por septicemia.
É importante salientar que praticamente todas as mortes causadas pelas complicações decorrentes da catapora poderiam ter sido evitadas se pudéssemos vacinar todas as crianças.
PROTEÇÃO PARALELA
Drauzio – Vacinas contra o Haemophilus influenzae, contra o pneumococo e contra o meningococo protegem as crianças de uma série de infecções menores como otites, amidalites e infecções das vias aéreas superiores?
Gabriel Oselka – Esse é um ponto importante para salientar. O objetivo principal dessas vacinas é proteger contra as formas mais graves da infecção, mas de certo modo elas atuam sobre as formas mais benignas. Talvez o exemplo mais notável seja o da vacina contra o pneumococo, bactéria que também causa otite (inflamação do ouvido). Embora a eficácia de proteção para essa enfermidade não seja a mesma da proteção contra pneumonia e meningite, se conseguirmos reduzir um pequeno porcentual dessas infecções, o impacto na população será enorme.
Isso aparentemente a vacina contra o pneumococo consegue fazer. Ela consegue diminuir a incidência de otite em 6% ou 7% da população. Se lembrarmos que a otite é uma das infecções mais frequentes nas crianças e uma das razões mais importantes para a prescrição de antibióticos, com todas as consequências, inclusive de custo, que isso acarreta, 6% ou 7% de proteção representam um avanço considerável.
GRUPOS ANTIVACINAS
Drauzio – A primeira vez que li que ainda hoje existem grupos contrários à utilização de vacinas, fiquei surpreso. Era como ter encontrado pessoas que são contra a utilização da luz elétrica.
Gabriel Oselka – Felizmente, no Brasil, esses grupos são pouco ativos, mas existem alguns países, particularmente na Europa, em que a atuação dos grupos antivacinas tem representado um problema sério, não para os médicos nem para o serviço de saúde que prescrevem a vacina, mas para as crianças que deixam de ser vacinadas por falsas noções que esses grupos defendem.
O exemplo mais preocupante que se tem no momento é o do Reino Unido, onde se espalhou o conceito de que a vacina combinada, aquela contra sarampo, caxumba e rubéola, seria a causa de autismo, uma doença grave e dramática. Depois que essa afirmação destituída de qualquer base científica foi divulgada pela imprensa leiga e até por alguns médicos que entraram na confusão, surgiram inúmeros trabalhos de grande extensão, realizados em diferentes partes do mundo, mostrando categoricamente que a afirmação é falsa. Entretanto, nos últimos cinco ou seis anos, as coberturas vacinais, que eram elevadíssimas no Reino Unido, caíram muito e estão aumentando os casos de sarampo. As coisas chegaram a tal ponto que o governo se viu obrigado a adotar medidas agressivas para inverter a situação, até agora com sucesso parcial.
Dizer que as vacinas são destituídas de qualquer risco seria uma mentira, uma temeridade. Não há remédio que seja absolutamente inócuo. No entanto, creio que as vacinas utilizadas rotineiramente nos programas de vacinação incluem-se entre os produtos médicos de maior segurança.
Drauzio – É sempre importante repetir que as vacinas são extremamente seguras.
Gabriel Oselka – São extremamente seguras e é muito raro provocarem reações graves. Na verdade, hoje estamos vivendo um paradoxo. As vacinas são de certa forma vítimas de seu próprio sucesso, porque as pessoas acabam perdendo a memória do que as doenças representavam antes de serem controladas pela vacinação e saem por aí dizendo: “Por que vou tomar vacina contra sarampo, por exemplo, já que a doença nem mais existe?”.
Se todos pensarem assim, o sarampo volta e repete o estrago que fazia. E não é só ele. Voltam a tosse comprida e o crupe que eram causa de morte em crianças, mortes que foram evitadas porque se controlou a incidência dessas enfermidades exclusivamente com a utilização das vacinas.
Drauzio – Na minha infância, quando o filho acordava com uma febrícula, queixando-se de dores musculares, as mães ficavam apavoradas, temendo que a criança estivesse com poliomielite. Felizmente, essa neurose desapareceu depois do programa de vacinação em massa contra a paralisia infantil.
Gabriel Oselka – Talvez a paralisia infantil seja a única doença que ainda conserva uma memória coletiva das consequências que provocava, porque as campanhas de vacinação ainda utilizam as imagens dramáticas de crianças que tiveram poliomielite, mas os jovens provavelmente não tenham a dimensão do que o problema representava. Até o começo da vacinação em massa contra a poliomielite em 1980, tínhamos no Brasil mais de mil casos notificados da doença o que sugere existir um número maior de casos não notificados pelo País afora. A utilização da vacina em larga escala nos dias nacionais de vacinação e nos programas rotineiros fez com que a partir de 1889 não houvesse um caso sequer de poliomielite. Não há dúvida de que a doença foi erradicada do Brasil graças à aplicação da vacina.

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terça-feira, 6 de março de 2012

Enzima encontrada em bactérias e fungos consegue transformar sangues tipo “A” e “B” em “O”



Pesquisadores descobriram uma maneira de converter tipos sanguíneos A e B em tipo O, podendo ser usado em seguida em transfusões de sangue.
Cientistas descobriram uma maneira de converter tipos de sangue A e B em sangue tipo O. Este sangue pode ser transfundido para qualquer outra pessoa. Este avanço poderia ajudar a evitar a escassez de sangue no futuro.
Existem hidratos de carbono diferentes em cada tipo de sangue, chamados antígenos, mais especificamente na superfície das células do sangue humano. Seu “tipo” de sangue indica quais antígenos você possui em sua superfície celular. As pessoas com sangue tipo A têm os antígenos A, se você possui sangue “tipo” B você possui antígenos B.
  As pessoas com os dois tipos de antígeno são chamadas de AB. Se você não possui nenhum tipo de antígeno, é chamado de O. Seu sistema imunológico reconhece alguns antígenos como ‘amigos’ e outros como ‘intrusos’. Caso precise de uma transfusão de sangue, é necessária a compatibilidade correta.
Uma pessoa que recebe transfusão de sangue com o tipo inadequado de antígeno pode ter todas as células do sangue doador atacadas pelo sistema imunológico, podendo ocasionar a morte. O tipo sanguíneo “O” é considerado doador universal e todas as pessoas podem recebê-lo, já que não possuem nenhum antígeno que faça o sistema imunológico reagir.
  Uma equipe de cientistas dinamarqueses identificou enzimas que removem antígenos A e B a partir de células sanguíneas. As enzimas foram extraídas de bactérias e uma espécie específica de fungo. Com o tratamento enzimático, qualquer sangue torna-se tipo O, sendo reclassificado como doador universal.
  Os ensaios clínicos ainda estão em andamento para testar todas as possibilidades de segurança do sangue modificado. Se todas as pesquisas confirmarem ser positivas, estaremos diante de uma grande descoberta que ajudará milhões de pessoas em todo mundo, já que o sangue tipo O é considerado uma “mercadoria” muito preciosa.

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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Descoberta de anticorpos contra HIV abre caminho à vacina para combater a Aids

Eu estava assistindo o Jornal da Globo pelas tantas da madruga quando recebi uma grande notícia que revolucionará a medicina nos próximos anos. A:

Descoberta de anticorpos contra HIV abre caminho à vacina para combater a Aids

Achei algo para se ler na Folha On-line:

da New Scientist

Um "ponto fraco" do vírus HIV comum a muitas de suas linhagens foi descoberto por pesquisadores norte-americanos, que publicaram o resultado em artigo na revista "Science" desta quinta-feira (3).

Trata-se de um canal para afetar o vírus por meio de anticorpos recém-encontrados, o que pode levar a uma potente vacina contra a Aids. A grande dificuldade apontada para esta busca é a rápida mutação do vírus. Isso impede que o sistema imunológico e seus anticorpos possa detectá-lo normalmente.

De acordo com Wayne Koff, vice-presidente sênior de pesquisa e desenvolvimento na Iniciativa Internacional pela Vacina contra a Aids, em Nova York, o importante é saber para que alvo apontar.

Os testes de laboratório mostraram que os novos anticorpos conseguem afetar muito mais variantes e linhagens do HIV que o usual, o que dá aos pacientes potencialmente proteção tanto contra novos variantes com os quais estão infectados quanto contra quaisquer novos mutantes do vírus que sejam desenvolvidos em seus corpos.

O grupo de pesquisadores liderados por Dennis Burton, da Scripps Research Institute, na Califórnia, analisou o sangue de 1.800 indivíduos para checar seus anticorpos.

Eles descobriram que cerca de 10% dessas pessoas tinham o que foi chamado de "anticorpos amplamente neutralizantes", que poderiam reconhecer múltiplas linhagens do HIV. A partir deste material, os cientistas puderam chegar a dois anticorpos extremamente potentes, ambos de um doador africano.

03/09/2009 - 20h22

Fonte: Folha online

Fico muito feliz e torço para que a vacina seja feita o mais rápido possível e que consigam driblar os problemas com a mutação viral do HIV, afinal de contas somos muito mais espertos que eles. Já tá na hora de derrubar esse mistério da ciência.
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