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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Toxoplasmose


Toxoplasmose é uma doença infecciosa, congênita ou adquirida, causada por um protozoário chamado Toxoplasma gondii, encontrado nas fezes dos gatos e outros felinos. Homens e outros animais também podem hospedar o parasita.
A toxoplasmose pode ser adquirida pela ingestão de alimentos contaminados — em especial carnes cruas ou mal passadas, principalmente de porco e de carneiro, e vegetais que abriguem os cistos do Toxoplasma, por terem tido contato com as fezes de animais hospedeiros ou material contaminado por elas mesmas.
A toxoplasmose pode ser transmitida congenitamente, ou seja, da mãe para o feto, mas não se transmite de uma pessoa para outra.
Seu diagnóstico é feito levando em conta exames clínicos e exames laboratoriais de sangue.
Sintomas
A toxoplasmose pode ser uma doença absolutamente assintomática ou provocar quadros graves no miocárdio, fígado e músculos, encefalite e exantema máculo-papular (vermelhidão pelo corpo em forma de pequenas manchas e pápulas).
No caso de haver sintomas, merecem destaque:
* Febre;
* Manchas pelo corpo;
* Cansaço;
* Dores no corpo;
* Linfadenopatia, ou seja, ínguas espalhadas pelo corpo;
* Dificuldade para enxergar que pode evoluir para cegueira;
* Lesões na retina.
Tratamento
Em caso de pacientes soropositivos, o tratamento é indispensável, pois a forma disseminada da doença pode envolver retina, pulmões, cérebro, pele, músculos, fígado e coração. Pacientes com Aids requerem tratamento e atenção especial para controlar a progressão da depressão imunológica associada à doença.
Recomendações
* Evite contato com fezes de animais, especialmente de gatos ou outros felinos;
* Tenha cuidado com a higiene das mãos e dos utensílios de cozinha quando estiver lidando com alimentos;
* Não coma carne mal passada nem vegetais mal lavados;
* Não se descuide do acompanhamento pré-natal, se você estiver grávida. Toxoplasmose é uma enfermidade grave durante a gestação;
* Gestantes precisam estar atentas, principalmente se tiverem contato com gatos. Medidas especiais de higiene são fundamentais nesses casos.


Fonte: Dr. Drauzio Varella
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Leishmaniose nas cidades por Drauzio Varella


Há doenças que vêm, vão embora, e, quando menos se espera, voltam com tudo.
É o caso da leishmaniose visceral, enfermidade que provoca febre intermitente com semanas de duração, fraqueza, perda de apetite, emagrecimento, anemia, aumento do baço e do fígado e comprometimento da medula óssea.
É transmitida pelo mosquito-palha ou birigui (Lutzomyia longipalpis), que ao picar introduz na circulação do hospedeiro um protozoário descrito pela primeira vez por Evandro Chagas na década de 1930, a Leishmania chagasi.
Na época do internato no Hospital das Clínicas, acompanhei alguns casos em pacientes invariavelmente oriundos de áreas rurais.
Um deles chamava-se Eisenhower Getúlio da Silva. Tinha dez anos que pareciam seis, magrinho, desnutrido, com um baço que fazia saliência no lado esquerdo do abdômen. Ficou internado tanto tempo que virou mascote da enfermaria.
Uma tarde, quando já estava fora de perigo, desapareceu. Procuraram pelo hospital inteiro; até o Juizado de Menores foi chamado. No auge do rebuliço, Eisenhower apareceu chupando um sorvete, ao lado de um médico-interno que o havia levado para passear no Zoológico, sem avisar ninguém.
Naquela época, leishmaniose visceral era considerada uma parasitose em extinção. Nos últimos trinta anos, para nossa surpresa, ela não apenas retornou, mas invadiu até cidades maiores. De início no Nordeste, depois no Norte, Centro-Oeste e Sudeste; poupou apenas o sul do país. Nos últimos 15 anos, já se espalhou por vinte estados brasileiros, causando mais de 50 mil casos, e quase duas mil mortes.
E, pior, “bate às portas das cidades de médio e grande porte. Pode chegar a metrópoles como Rio de Janeiro e São Paulo”, explica Ricardo Zorzetto em excelente artigo publicado na revista “Pesquisa”, da Fapesp, que tomamos a liberdade de resumir na coluna de hoje.
Entrevistado por ele, o sanitarista Carlos Henrique Nery da Costa, da Universidade Federal do Piauí, que estuda a transmissão da leishmaniose em centros urbanos há 20 anos e acompanhou as epidemias ocorridas em Teresina nas décadas de 1980 e de 1990 (mais de mil pessoas acometidas em cada uma), afirmou: “Nos próximos cinco anos pode haver uma epidemia na cidade de São Paulo”.
Enquanto a leishmaniose atacava Teresina, surgiam casos em São Luís do Maranhão e Santarém, no Pará. Na segunda metade dos anos 1990, a epidemia chegou a Corumbá, Campo Grande e à divisa do estado de São Paulo.
Da fronteira, seguindo o curso do rio Tietê, ela avança cerca de 30 quilômetros por ano em direção à capital. Em dez anos, o Centro de Vigilância Epidemiológica registrou mais de 1.200 casos no estado, e mais de 100 mortes.
O mosquito-palha nunca foi detectado num município da Grande São Paulo. Em 2002, entretanto, em Cotia e no Embu, surgiram casos de leishmaniose cutânea, forma mais branda causadora de feridas na pele, transmitida por outras espécies de Lutzomyia.
Com a destruição das florestas, o inseto transmissor da leishmaniose visceral acabou por adaptar-se à vida nos centros urbanos. Em Belo Horizonte, por exemplo, invadiu a periferia da cidade; em Bauru, também.
Alguns sanitaristas desconfiam que a disseminação possa ser facilitada pelo plantio de árvores ornamentais nas ruas e parques. As acácias, de flores amarelas, em cachos, são as principais suspeitas: haviam sido plantadas em Teresina na época da primeira epidemia; no Sudão, na década de 1980, entre as 100 mil pessoas que morreram de leishmaniose visceral, a maioria morava em áreas com muitas acácias. O mosquito-palha teria predileção pelo néctar dessas flores.
Nas cidades, a transmissão se torna potencialmente perigosa por causa do grande número de cachorros, que adquirem a infecção e desenvolvem um quadro clínico semelhante ao do homem. Em alguns municípios paulistas, a prevalência da leishmaniose entre cães chega a 20%.
Como o Ministério da Saúde proibiu tratar cães com medicamentos usados em medicina humana (porque os cães melhoram, mas continuam a transmitir o germe), a única alternativa é sacrificar os animais infectados. Essa medida, no entanto, não conta com a simpatia dos donos nem dos defensores dos direitos dos animais.
Os médicos precisam estar atentos aos sintomas da leishmaniose visceral, doença que conhecemos mal por julgá-la a caminho da extinção. Sem diagnóstico precoce, a mortalidade pode chegar a 10%.
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Leishmaniose visceral (Calazar)


Leishmaniose visceral, ou calazar, é uma doença transmitida pelo mosquito-palha ou birigui (Lutzomyia longipalpis) que, ao picar, introduz na circulação do hospedeiro o protozoário Leishmania chagasi.
Embora alguns canídeos (raposas, cães), roedores, edentados (tamanduás, preguiças) e equídeos possam ser reservatório do protozoário e fonte de infecção para os vetores, nos centros urbanos a transmissão se torna potencialmente perigosa por causa do grande número de cachorros, que adquirem a infecção e desenvolvem um quadro clínico semelhante ao do homem.
A doença não é contagiosa nem se transmite diretamente de uma pessoa para outra, nem de um animal para outro, nem dos animais para as pessoas. A transmissão do parasita ocorre apenas através da picada do mosquito fêmea infectado.
Na maioria dos casos, o período de incubação é de 2 a 4 meses, mas pode variar de 10 dias a 24 meses.
Sintomas
Os principais sintomas da leishmaniose visceral são febre intermitente com semanas de duração, fraqueza, perda de apetite, emagrecimento, anemia, palidez, aumento do baço e do fígado, comprometimento da medula óssea, problemas respiratórios, diarreia, sangramentos na boca e nos intestinos.
Diagnóstico
O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações que podem pôr em risco a vida do paciente. Além dos sinais clínicos, existem exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico. Entre eles destacam-se os testes sorológicos (Elisa e reação de imunofluorescência), e de punção da medula óssea para detectar a presença do parasita e de anticorpos.
É de extrema importância estabelecer o diagnóstico diferencial, porque os sintomas da leishmaniose visceral são muito parecidos com os da malária, esquistossomose, doença de Chagas, febre tifóide, etc.
Tratamento
Ainda não foi desenvolvida uma vacina contra a leishmaniose visceral, que pode ser curada nos homens, mas não nos animais.
Os antimoniais pentavalentes, por via endovenosa, são as drogas mais indicadas para o tratamento da leishmaniose, apesar dos efeitos colaterais adversos.

Em segundo lugar, está a anfotericina B, cujo inconveniente maior é o alto preço do medicamento. Uma nova droga, a miltefosina, por via oral, tem-se mostrado eficaz no tratamento dessa moléstia.
A regressão dos sintomas é sinal de que a doença foi pelo menos controlada, uma vez que pode recidivar até seis meses depois de terminado o tratamento.
Recomendações
* Mantenha a casa limpa e o quintal livre dos criadores de insetos. O mosquito-palha vive nas proximidades das residências, preferencialmente em lugares úmidos, mais escuros e com acúmulo de material orgânico. Ataca nas primeiras horas do dia ou ao entardecer;
* Coloque telas nas janelas e embale sempre o lixo;
* Cuide bem da saúde do seu cão. Ele pode se transformar num reservatório doméstico do parasita, que será transmitido para as pessoas próximas e outros animais;
* Lembre-se de que os casos de leishmaniose são de comunicação compulsória ao serviço oficial de saúde.

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Doença de Chagas no acai e no caldo de cana


Doença causada pelo protozoário parasita Trypanosoma cruzi que é transmitido pelas fezes de um inseto (triatoma) conhecido como barbeiro. O nome do parasita foi dado por seu descobridor, o cientista Carlos Chagas, em homenagem ao também cientista Oswaldo Cruz. Segundo os dados levantados pela Sucen, esse inseto de hábitos noturnos vive nas frestas das casas de pau-a-pique, ninhos de pássaros, tocas de animais, casca de troncos de árvores e embaixo de pedras.
Transmissão
A doença de Chagas não é transmitida ao ser humano diretamente pela picada do inseto, que se infecta com o parasita quando suga o sangue de um animal contaminado (gambás ou pequenos roedores). A transmissão ocorre quando a pessoa coça o local da picada e as fezes eliminadas pelo barbeiro penetram pelo orifício que ali deixou.
A transmissão pode também ocorrer por transfusão de sangue contaminado e durante a gravidez, da mãe para filho. No Brasil, foram registrados casos da infecção transmitida por via oral nas pessoas que tomaram caldo-de-cana ou comeram açaí moído. Embora não se imaginasse que isso pudesse acontecer, o provável é que haja uma invasão ativa do parasita diretamente através do aparelho digestivo nesse tipo de transmissão.
Sintomas
Febre, mal-estar, inflamação e dor nos gânglios, vermelhidão, inchaço nos olhos (sinal de Romanã), aumento do fígado e do baço são os principais sintomas. Com frequência, a febre desaparece depois de alguns dias e a pessoa não se dá conta do que lhe aconteceu, embora o parasita já esteja alojado em alguns órgãos.
Como nem sempre os sintomas são perceptíveis, o indivíduo pode saber que tem a doença, 20, 30 anos depois de ter sido infectado, ao fazer um exame de sangue de rotina.
Meningite e encefalite são complicações graves da doença de Chagas na fase aguda, mas são raros os casos de morte.
Evolução
Caindo na circulação, o Trypanosoma cruzi afeta os gânglios, o fígado e o baço. Depois se localiza no coração, intestino e esôfago. Nas fases crônicas da doença, pode haver destruição da musculatura e sua flacidez provoca aumento desses três órgãos, o que causa problemas como cardite chagásica (aumento do coração), megacólon (aumento do cólon que pode provocar retenção das fezes) e megaesôfago, cujo principal sintoma é a regurgitação dos alimentos ingeridos. Essas lesões são definitivas, irreversíveis.
A doença de Chagas pode não provocar lesões importantes em pessoas que apresentem resposta imunológica adequada, mas pode ser fatal para outras.
Diagnóstico e período de incubação
O período de incubação vai de cinco a 14 dias após a picada e o diagnóstico é feito através de um exame de sangue, que deve ser prescrito, principalmente, quando um indivíduo vem de zonas endêmicas e apresenta os sintomas acima relacionados.
Tratamento
A medicação é dada sob acompanhamento médico nos hospitais devido aos efeitos colaterais que provoca, e deve ser mantida, no mínimo, por um mês. O efeito do medicamento costuma ser satisfatório na fase aguda da doença, enquanto o parasita está circulando no sangue. Na fase crônica, não compensa utilizá-lo mais e o tratamento é direcionado às manifestações da doença a fim de controlar os sintomas e evitar as complicações.
Recomendações
* Como não existe vacina para a doença de Chagas, os cuidados devem ser redobrados nas regiões onde o barbeiro ainda existe, como o vale do Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais, e em algumas áreas do nordeste da Bahia;
* Pessoa que esteve numa região de transmissão natural do parasita deve procurar assistência médica se apresentar febre ou qualquer outro sintoma característico da doença de Chagas;
* Portadores do parasita, mesmo que sejam assintomáticos, não podem doar sangue;
* A cana-de-açúcar deve ser cuidadosamente lavada antes da moagem e a mesma precaução deve ser tomada antes de o açaí ser preparado para consumo;
* Eliminar o inseto transmissor da doença ou mantê-lo afastado do convívio humano é a única forma de erradicar a doença de Chagas.
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