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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

SEXO ANAL E SEXO ORAL [Marcos Ribeiro]



A cada dia percebemos que o comportamento sexual depende, mais e mais, das fantasias e dos desejos de cada um, não descartando a influência sócio-cultural sobre as pessoas.

Isso vai depender do conceito de "normalidade" que cada pessoa traz dentro de si. O que pode ser considerado "anormal" para uns, pode ser para outros uma fonte de grande prazer.

O comportamento "normal" não pode ser aquele que esteja proporcionando prazer para ambos? E mais especificamente em relação ao sexo oral e anal, se as duas pessoas do casal concordam em manter essa prática, o que há de errado nisso?
Eu acredito que o errado é quando um dos parceiros faz qualquer coisa que seja contra a própria vontade. Nesse caso, a pessoa está se violentando em prol do desejo do outro. E aí, onde ficam os próprios desejos? Como ficam as próprias vontades?

Temos que pensar seriamente nessa questão. Que sexo é bom, é gostoso, já se sabe. Mas o que não podemos nos esquecer é de que essa prática só é plenamente satisfatória quando é feita de acordo com os gostos e escolhas de cada pessoa.
Com isso, quero dizer que é importante respeitar a individualidade do outro. Porque o relacionamento sexual é muito mais que uma penetração; ele envolve troca, companheirismo, carinho e respeito.

Você já notou que sempre que se fala em sexo oral e anal, as pessoas logo associam a "variações" que só podem ser feitas com as mulheres da rua? A mulher de casa, ou seja, "a minha esposa e mãe dos meus filhos", é para ser "respeitada". E muitas mulheres pensam assim também.

Não quero dizer que está errado quem pensa assim. Deve-se respeitar o jeito de pensar de cada um.

Em termos gerais, não existe certo ou errado em se falando de sexo, mas o que significa ser certo ou errado para cada um.

Em relação à saúde, há quem diga que a prática freqüente de sexo anal faz com que as pessoas que o praticam fiquem sem controlar as fezes, porque o ânus ficaria um pouco mais largo ou frouxo. Isso não é verdade.

Mas é preciso ter cuidado, porque é perigoso penetrar no ânus e depois levar
o pênis diretamente para a vagina, por exemplo, sem antes lavá-lo. Os microorganismos ("bichinhos" que causam doenças) que vivem no ânus, devido às fezes, podem ir junto e, com isso, causar uma vaginite (que significa inflamação da vagina).

Um outro problema é que essa prática aumenta, pelo mesmo motivo, a possibilidade de o homem contrair uma uretrite (que é a inflamação da uretra). Uretra. é o buraquinho por onde sai o xixi.

Além disso, hoje em dia, devido a aids, é aconselhável o uso de camisinha.
É importante ter cuidado e fazer as coisas com cautela, sem deixar de desfrutar do prazer que o sexo pode lhe proporcionar.

Já a prática do sexo oral (que é a estimulação do pênis ou vulva pela boca) não causa danos à saúde, se o homem for sadio. Igualmente, como já falei antes, por causa da aids é importante ter cuidado. E esse cuidado significa usar camisinha.

O que significa o termo boquete?
No sexo oral o parceiro ejacula na boca da mulher? No caso de uma resposta afirmativa, o que faz a mulher com o esperma que é ejaculado em sua boca?
(Ana Cristina, Engenho Novo - RJ.)

Boquete é uma expressão popular para o sexo oral, ou seja, quando os garotos falam "pagar um boquete", significa que eles querem ou estão tendo o seu pênis estimulado pela boca. Não existe uma expressão semelhante para as mulheres. Pelo menos eu desconheço.

Outras expressões usadas na sexologia para o sexo oral são: felação (quando se tem o pênis estimulado pela boca) e cunilíngua (quando a vulva é estimulada
pela boca).

Em relação à segunda pergunta, a atitude a ser tomada é pessoal, dependendo de cada mulher, e deve ser respeitada pelo parceiro. Há mulheres que ingerem o sêmen; outras, não. Mas, mais uma vez, não podemos esquecer os cuidados com a prevenção. E nesse caso, também, na prática do sexo oral, deve-se usar camisinha.


( Marcos Ribeiro )

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SEXUALIDADE INFANTIL [Marcos Ribeiro]

Texto de Marcos Ribeiro em seu site:

A afirmativa de sexo é “coisa de gente grande” vem da idéia que se teve durante muitos anos de que a criança é um ser assexuado e não tem nenhuma manifestação de sexualidade. E hoje sabemos que isso não é verdade.

Como imaginar que um ser tão pequeno e indefeso possa ter suas manifestações de sexualidade e erotismo?

É importante esclarecer, de início, que a percepção que temos para nós, adultos, evidentemente não é a mesma sentida pelas crianças.

O erotismo tem as suas bases na infância, principalmente no primeiro ano de vida. Esse é o ponto de partida para uma vivência de sexualidade e sensualidade mais tarde, quando adultos.

Muito da maneira como nos sentimos hoje, com um sentimento de conforto e segurança ou de rejeição e de autodesvalorização, teve as suas bases ainda na infância.

A forma como os pais interagem com os filhos, dando carinho, amor aconchego e proteção, é que vai ser importante para uma boa estrutura psicológica e de sexualidade.

É muito importante a figura de pai e mãe, para formar esses alicerces. Mesmo que, por exemplo, não haja um pai (biológico) presente, mas uma figura masculina que represente esse papel. E a gente sabe que, muito freqüentemente, os avós ou irmãos mais velhos representam essa figura.

Para vocês terem uma idéia, por volta dos três anos a criança já diferencia homem e mulher e mantém uma curiosidade sexual bastante presente.

Essa curiosidade, inclusive, faz com que ela descubra que a outra criança tem um genital (pênis ou vulva) diferente do seu e ela fica inquieta para saber “como é”. Isso tudo é muito natural e é com essa postura que estaremos ajudando a criança a se desenvolver de forma tranqüila e encarando o sexo sem tabus.

É por volta dessa idade, também, que começam as primeiras brincadeiras com a mão – de ficar brincando “horas e horas” distraidamente ou mesmo ficar roçando contra travesseiros, almofadas ou algum outro objeto.

Um pouco mais tarde, já fazendo uso da fala, a criança experimenta o uso do palavrão. A postura mais correta é procurar entender o significado do palavrão – o que ele está, naquele momento, representando para criança. Pouco adianta brigar, pôr de castigo ou dizer que vai colocar pimenta na boca.

Muitas vezes a criança fala o palavrão sem saber muito bem o que significa (o seu sentido real), mesmo conseguindo empregar nas horas certas. Ela fala como um papagaio: repete tudo o que ouve. O que, também, faz parte do seu processo de aprendizagem de linguagem.

Uma característica, que vai dessa idade até a adolescência, é a capacidade de formar vínculos afetivos.

E nesse processo, a escola tem um papel fundamental, que é o de socialização: estabelecer limites (normalmente os pais acham tudo uma “gracinha” e se esquecem que essa criança vai ser adulta um dia) ou estabelecer o respeito entre um e outro.
É também na escola, quando a criança começa a ter um convívio intenso com outras crianças, que ela ensaia as primeiras paqueras e se interessa por outros(as) menininhos(as). Não é incomum encontrarmos os pequenos dizendo a toda hora que fulano(a) é meu(minha) namorado(a).

Se a criança conseguir viver essa sua história, e que se lembrarmos bem foi parecida com a nossa, de forma harmoniosa e sem preconceitos, ela terá todas as chances de crescer mais integrada consigo mesma.
E, conseqüentemente, com o outro.

( Marcos Ribeiro )

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