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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

USP estuda nova fórmula para calcular IMC capaz de identificar falsos magros

Por Tainah Medeiros


Novo cálculo propõe equação que leva em conta a massa gorda
Uma nova tese para calcular o IMC (Índice de Massa Corporal) foi recentemente publicada pelo Departamento de Nutrição da Usp (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto. O estudo propõe uma equação capaz de identificar os “falsos magros”, que apesar de exibirem uma silhueta esguia apresentam altos níveis de gordura, e os “falsos gordos”, que têm um IMC alto em decorrência de ganho de massa muscular, e não de gordura.

Após quatro anos de estudo, a pesquisa da nutricionista Mirele Savegnago Mialich Grecc, inédita no Brasil, estabelece uma equação que leva em conta a massa gorda do indivíduo, além do peso e da estatura, as duas medidas usadas no cálculo do IMC. A fórmula é expressa pela soma do triplo do peso com o quádruplo do percentual de gordura, tudo dividido pela altura.
A equação usada atualmente foi obtida em 1835 pelo estatístico belga Lambert Adolphe Jacques Quételet e adotada como ideal pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em 1997. O cálculo divide o peso pela altura ao quadrado, obtendo uma numeração que indica em qual grupo a pessoa se encaixa: abaixo do peso ideal, peso normal, sobrepeso, obesidade. Entretanto, a fórmula não leva em conta quanto desses quilos estão relacionados a gordura e quantos se referem a massa muscular.
Veja as diferenças entre o cálculo do IMC clássico e a equação proposta pela USP:
IMC
IMC da USP
Peso (kg) ÷ Altura (m) ao quadrado
(3 x Peso (kg) + 4 x Percentual de gordura) ÷ Altura (cm)
Dentro da nova proposta, o valor que separa sobrepeso de obesidade grau 1 deixa de ser igual ou superior a 30 kg/m², como proposto na equação de Quételet, e passa a ser 28 kg/m2 para homens e 25 kg/m2 para mulheres.
Para chegar à nova fórmula, Mirele avaliou as medidas (peso, altura e gordura corporal) de 501 pessoas de ambos os gêneros, com idades entre 17 e 38 anos. Foram coletadas informações sobre padrão alimentar e prática de atividades físicas.
Segundo a pesquisadora, o novo cálculo se encaixa dentro da tendência mundial que leva cada país a buscar fórmulas condizentes com sua realidade. “Nos Estados Unidos, a principal pesquisa, realizada com mais de 13 mil pessoas, propõe que a classificação de obesidade deva ficar por volta de 25 kg/m2. Levando-se em consideração o IMC tradicional, tanto no Brasil como nos Estados Unidos, esse valor é o início do sobrepeso”, explica Mirele.
O ponto desfavorável desse novo índice é a necessidade de se conhecer o valor da massa gorda. Para obter esse número, é preciso passar por um exame chamado bioimpedância ou por avaliação física, comumente feita nas academias.
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