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quarta-feira, 8 de abril de 2020

Doenças priônicas

Olá Pessoal 
As doenças priônicas são doenças neurodegenerativas raras que acometem seres humanos e também outros animais. São assim denominadas porque são causadas por príons. Os príons são formas modificadas de proteína presente normalmente no organismo, a proteína príon celular. A modificação da proteína normal para a proteína patogênica (ou príon – forma responsável pela doença) ocorre na maioria das vezes por causa desconhecida.
Existem 5 doenças priônicas humanas: doença de Creutzfeldt-Jakob, doença de Gertsmann-Straussler-Schinker, insônia fatal, kuru e prionopatia variavelmente sensível a protease.
Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ): é a doença priônica mais comum, embora seja uma doença rara. Tem incidência de 1 caso a cada 1 milhão de habitantes ao ano. Trata-se de doença agressiva e rapidamente fatal na maioria das vezes. Caracteriza-se por demência que se instala rapidamente associada a sintomas e sinais de comprometimento de outros sistemas neurológicos (mioclonias, alterações cerebelares, alterações visuais, comprometimento extrapiramidal, comprometimento piramidal). O paciente atinge estágio grave da doença em poucos meses. A doença é sempre fatal e não há tratamento.
A maioria dos casos de DCJ ocorre de forma esporádica, ao acaso. A transformação da proteína normal em príon ocorre por motivo desconhecido. Geralmente ocorre em indivíduos acima de 60 anos.
A minoria dos casos pode ser genética – forma genética. Nestes casos existe uma mutação no gene que é responsável pela produção da proteína príon celular. São prontamente identificados pela análise genética do paciente. O quadro clínico e idade de início do quadro depende da mutação encontrada.
Outra forma da DCJ é a forma adquirida. Nestes casos, o príon é adquirido de fonte externa. Existem casos descritos por contaminação por transplante de córnea, uso de materiais neurocirúrgicos e uso de hormônio de crescimento, entre outros. O príon também pode ser adquirido pela ingesta de carne bovina contaminada. Essa forma de contaminação foi epidêmica no Reino Unido na década de 90 e início dos anos 2000. A forma adquirida pela ingesta de carne bovina contaminada é chamada de variante da DCJ e acomete indivíduos jovens. Até o momento existem cerca de 170 casos diagnosticados dessa forma da doença. Não há casos de variante da DCJ diagnosticados no Brasil.
Doença de Gerstmann- Straussler-Schincker: caracteriza-se por comprometimento cerebelar inicialmente. Os sintomas de desequilíbrio e incoordenação são proeminentes, além de dificuldade para articular as palavras. Alteração da personalidade e declínio cognitivo ocorrem geralmente mais tardiamente. Dor e alteração da sensibilidade nas pernas também são encontrados. A doença tem curso mais insidioso, com sobrevida média de 5 a 6 anos.
Insônia fatal: forma rara de doença priônica, cujos sintomas principais são: insônia, distúrbios autonômicos, ataxia e disartria. É genética na mairoria das vezes, associada a mutação no codon 178.
Kuru: doença priônica restrita a região da Papua Nova Guiné, associada à prática de canibalismo dentre os indivíduos da tribo Fore.
Prionopatia variavelmente sensível a protease: doença priônica descrita mais recentemente, caracteriza-se pela tríade de sintomas psiquiátricos, alteração da linguagem e declínio cognitivo.
Tabela 1. Doenças priônicas humanas
Tabela 1. Doenças priônicas humanas
Os exames subsidiários que auxiliam no diagnóstico dessas doenças são: ressonância magnética do encéfalo, eletroencefalograma e pesquisa das proteínas 14.3.3 e tau no líquido cefalorraquidiano. A ressonância magnética do encéfalo sempre deve ser feita com técnica chamada difusão e pode apresentar alterações sugestivas de DCJ. Os exames subsidiários normais não afastam de definitivamente as doenças priônicas.
Não existe tratamento para as doenças priônicas.
As doenças priônicas são de notificação compulsória no Brasil.
Curiosidades:

  • O termo príon é um acrônimo de “proteinaceous infectious particle”, termo cunhado pelo pesquisador Stanley Prusiner em 1982. Foi assim determinado para contrapor a ideia vigente na comunidade científica na época de que o agente causador dessas doenças era um vírus lento.
  • O príon também pode ser denominado de proteína príon scrapie.
  • O termo “doença da vaca louca” é inapropriado para descrever as doenças priônicas humanas. É o termo popular para a doença denominada encefalopatia espongiforme bovina, a doença priônica bovina. A variante da DCJ é a doença adquirida pelo homem ao ingerir carne contaminada pela encefalopatia espongiforme bovina.
FONTE: CNNANEURO
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Você já ouviu falar da Febre Chikungunya???

O que é Febre Chikungunya?

Febre Chikungunya é uma doença parecida com a dengue, causada pelo vírus CHIKV, da família Togaviridae. Seu modo de transmissão é pela picada do mosquito Aedes aegypti infectado e, menos comumente, pelo mosquito Aedes albopictus.
Seus sintomas são semelhantes aos da dengue: febre, mal-estar, dores pelo corpo, dor de cabeça, apatia e cansaço. Porém, a grande diferença da febre chikungunya está no seu acometimento das articulações: o vírus avança nas juntas dos pacientes e causa inflamações com fortes dores acompanhadas de inchaço, vermelhidão e calor local.

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Hiperdontia bucal: dentes além do normal

“Tenho 18 anos e o meu dentista me encaminhou para um dentista de aparelho. Ele disse que tenho hiperdontia e que vou precisar arrancar alguns dentes. Estou apavorada. o que é isso? Hiperdontia? Adoro demais  o seu blog e a página do facebook.” Viviane Costa 


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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Vírus de Marburg


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Como ler uma caixa taxonómicaVírus de Marburg
Vírus de Marburg, ampliado cerca de  100.000x
Vírus de Marburg, ampliado cerca de 100.000x
Classificação científica
Reino:Virus
Ordem:Mononegavirales
Família:Filoviridae
Género:Marburgvirus
Espécie:Lake Victoria marburgvirus
O vírus de Marburg (ou Marburgo) é o agente causador da febre hemorrágica de Marburg, que teve epidemias conhecidas em 1967 (a primeira), e depois em 1975, 1980, 1987, 1998, 2004 e 2005 cujo epicentro foi Angola.
Quer a doença ou o vírus, estão relacionados com o ébola e têm origem na mesma área geográfica (Uganda e Quénia ocidental). A sua fonte é uma zoonose de origem desconhecida.
A estrutura viral é típica dos filo-vírus, com longas partículas fibrosas que têm um diâmetro consistente mas que variam muito em comprimento, entre uma média de 800 nm até 14.000 nm, com o auge da atividade infeciosa por volta dos 790 nm. O seu vírion contém 7 proteínas estruturais conhecidas. Sendo praticamente idêntico ao vírus do Ébola em estructura, o vírus de Marburg é antigenicamente distinto do vírus do Ébola - por outras palavras, ele produz anticorpos diferentes, nos organismos infectados.
Este vírus foi documentado pela primeira vez em 1967, quando 37 pessoas adoeceram nas cidades alemãs de Marburg e Frankfurt am Main e na cidade sérvia de Belgrado, aparentemente por causa de macacos Cercopithecus aethiops infectados, que tinham sido importados do Uganda para o uso no desenvolvimento de vacinas pólio. Foi o primeiro filo-vírus a ser identificado.
A doença é caracterizada por um súbito ataque de febre, dores de cabeça e mialgia após um período de incubação de 5 a 10 dias.
Passada uma semana, aparece uma inflamação maculopapular, seguida de vômitos, dores do peito e abdominais e diarreia. A doença pode então tornar-se ainda mais perigosa, causando icterícia, delírios, falha do fígado e hemorragias extensas. A recuperação da doença é prolongada e pode ser marcada por inflamação dos testículos, hepatite recorrente, mielite recorrente ou uveite, inflamação da medula espinal, olhos ou glande parótida. Dependendo dos serviços de saúde e apoio hospitalar, a doença pode ter taxas de fatalidade muito altas, com estimativas rondando entre 25%  até 92%  apesar de alguns observadores terem sugerido que estes números sejam baixos.
A eclosão mais recente da doença começou no norte de Angola nos finais de 2004 e matou 126 pessoas até 30 de março de 2005. Uma eclosão na vizinha República Democrática do Congo entre 1998 e 2000 matou 123 pessoas. Uma outra eclosão maior na República Democrática do Congo em 2.000 matou 140 pessoas em apenas 3 semanas.
De acordo com a Organização mundial da Saúde, três quartos das mortes em Angola foram de crianças de menos de 5 anos de idade, mas o vírus também começou a afectar adultos, incluindo 6 enfermeiras e dois médicos estrangeiros. Há notícias de casos na capital, Luanda, o que levanta a possibilidade de a doença se espalhar internacionalmente pela viagem aérea. Países com ligações directas, tais como Portugal, começaram a fazer o rastreio de passageiros chegando de Angola. O governo angolano, entretanto, pediu assistência internacional, chamando a atenção para o facto de só existirem cerca de 1.200 médicos em todo o país, com algumas províncias com apenas dois médicos.
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Síndrome de Currarino


A síndrome de Currarino (SC), também denominada agenesia sacral hereditária, é definida como uma rara doença genética autossômica dominante causada por uma mutação no gene HLXB9, que se caracteriza pela presença da tríade composta por agenesia parcial do sacro, tumoração pré-sacral e malformação anorretal.
Foi descrita primeiramente por Bryant, no ano de 1838. Todavia, foi apenas em 1981 que Currarino e colaboradores caracterizaram esta síndrome como uma anomalia da embriogênese.
Clinicamente, esta patologia é caracterizada por agenesia parcial do sacro, por uma massa pré-sacral e pela malformação anorretal. Comumente, os pacientes relatam constipação e sepse perianal, além de infecção ascendente pela bactéria Escherichia coli, resultando em uma meningite bacteriana. As malformação associadas a esta síndrome englobam a fístula retovaginal, ureter duplo, hidronefrose, refluxo vesicouretral, útero bicorno e bexiga neurogênica. Também têm sido descritos neoplasias malignas como teratomas, leiomiossarcomas e tumores neuroendócrinos.
A presença da tríade de sintomas completa raramente é observada. Quando o paciente apresenta a tríade, habitualmente o diagnóstico é feito durante a primeira década de vida, ao contrário dos pacientes com a forma incompleta que, muitas vezes, são diagnosticados tardiamente, na fase adulta. Deste modo, uma avaliação clínica e radiológica minuciosa dos parentes em primeiro grau do paciente deve ser realizada.
Nos dias de hoje, já é possível realizar o diagnóstico pré-natal da síndrome de Currarino. A ultrassonografia do feto é capaz de apontar a massa pré-sacral, anomalias do sacro e da medula espinhal, bem como de outras alterações sugestivas. A confirmação desses achadas ultrassonográficos pode ser feita através da ressonância magnética fetal. A análise do material coletado através da amniocentese pode indicar a presença de mutações familiares previamente conhecidas, ou até mesmo apontar novas alterações do gene HLXB9.
A remoção cirúrgica das lesões retrorretais é recomendada, mesmo para os pacientes assintomáticos, uma vez que existe o risco de recorrência, degeneração maligna e infecção crônica.

Fontes:

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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Higiene bucal e íntima [You-tube]

Material do Grupo de saúde bucal 2012


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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Epidemias concomitantes por Dr. Drauzio Varella


Aids e hepatite B caminham de mãos dadas pelo mundo.
Tanto o HIV — causador da Aids –, quanto o HBV — causador da hepatite B – podem provocar doenças crônicas, câncer e mortes precoces. A coinfecção pelos dois vírus potencializa os malefícios de cada um deles.
Mundialmente, a infecção crônica pelo HBV é a principal causa de hepatite crônica e uma das principais causas de morte. Ela é responsável por metade de todos os casos de cirrose hepática e de hepatocarcinoma, o câncer do fígado.
Há cerca de 400 milhões de pessoas portadoras de hepatite B crônica, espalhadas pelos cinco continentes, a maioria das quais concentradas na Ásia e na África. Nessas regiões, os inquéritos mostram que até 70% dos adultos entraram em contato com o HBV, e que 8% a 15% desenvolveram hepatite crônica. Existem cerca de 100 milhões de pessoas com hepatite B crônica, apenas na China continental.
Esses números refletem a incapacidade de conter a transmissão materno-fetal do vírus, uma vez que a maioria das infecções nas áreas de maior endemicidade é adquirida no período neonatal, através do contato da criança com os familiares, ou por meio de procedimentos médicos, religiosos ou de cunho cultural que empregam agulhas e outros instrumentos contaminados.
Enquanto menos de 5% dos adultos que entram em contato com o HBV, por meio do sexo ou da exposição a instrumentos perfuro-cortantes, desenvolvem a forma crônica da doença, a infecção perinatal está associada a um risco de 90%. A maior parte dos que adquiriram o vírus dessa forma chega às fases finais de cirrose e câncer de fígado ao redor dos trinta ou quarenta anos.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, existem 33 milhões de pessoas infectadas pelo HIV, o vírus da Aids. Cerca de 10% dessa população são também portadores de infecção crônica pelo HBV. Em áreas endêmicas da Ásia e da África, a concomitância das duas infecções pode chegar a 25%.
Nos países com prevalência mais baixa de ambas viroses, nos quais HBV e HIV são adquiridos quase sempre na vida adulta por via sexual ou uso de agulhas contaminadas, a prevalência da infecção dupla costuma estar abaixo de 10%, número que pode subir para 50% entre os usuários de drogas injetáveis.
Mundialmente, o número de portadores da coinfecção crônica HIV/HBV é estimado entre três e seis milhões.
A coinfecção aumenta a morbidade e a mortalidade associada a cada um dos vírus isoladamente. Pessoas HIV-positivas que adquirem o HBV evoluem para hepatite B crônica cinco vezes mais depressa do que as infectadas unicamente pelo HBV e correm risco mais alto de desenvolver cirrose e hepatocarcinoma.
Mulheres infectadas pelos dois vírus, correm mais risco de transmiti-los para seus filhos do que as portadoras de apenas um deles.
A depressão imunológica causada pelo HIV compromete a eficácia da vacinação contra o HBV.
A vacinação dos bebês contra a hepatite B é eficaz: protege cerca de 70% dos vacinados. Se ao mesmo tempo a criança receber a imunoglobulina contra a hepatite B, a proteção chega perto dos 90%. A dificuldade está no custo da imunoglobulina. Em 2006, por exemplo, nos países de prevalência mais alta da hepatite B, a cobertura vacinal da primeira dose após o nascimento foi de apenas 36%.
Enquanto o tratamento antiviral administrado a mulheres grávidas portadoras do HIV reduz a transmissão perinatal do vírus da Aids a níveis próximos de zero, o uso de antivirais contra a hepatite B na gravidez foi avaliado apenas em ensaios clínicos com pequeno número de casos. Apesar dessa limitação, os resultados são promissores.
O ideal é que todas as mulheres façam os testes para Aids e hepatite no período  pré-natal. As que apresentarem resultados positivos devem receber tratamento adequado. A estratégia de usar dois medicamentos com atividade antiviral contra o HIV, que também sejam ativos contra o HBV, tem sido estudada com maior interesse.
No Brasil, a vacinação dos bebês contra a hepatite B faz parte do programa nacional.


Fonte: Dr. Drauzio Varella
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Vacinação infantil



Gabriel Oselka é médico, professor de Pediatria na Universidade de São Paulo e presidente da Comissão de Imunizações da Secretária de Saúde do Estado de São Paulo.

As vacinas foram criadas para ensinar o sistema imunológico a reconhecer agentes agressores que podem provocar doenças, assim como para ensiná-lo a reagir produzindo anticorpos capazes de combatê-los. Na preparação das vacinas, pode ser utilizado um componente do agente agressor, ou seja, o próprio agente agressor numa forma atenuada, ou morto, ou outro agente que seja semelhante ao causador da doença.
No Brasil, um dos programas de maior sucesso do Ministério da Saúde é o Programa Nacional de Imunizações. Pode-se dizer, hoje, que a imensa maioria das crianças brasileiras recebe regularmente vacinas contra quase todas as doenças graves. A eficiência desse programa chegou a tal ponto que certas enfermidades desapareceram por completo ou estão desaparecendo das clínicas médicas e hospitais. A poliomielite é um exemplo indiscutível de doença que desapareceu do cenário nacional graças a esse programa de imunização.
PRIMEIRAS VACINAS
Drauzio – O Programa Nacional de Imunizações recomenda que a vacinação comece muito cedo. As primeiras vacinas devem ser dadas ainda na maternidade?
Gabriel Oselka – A ênfase do Programa Nacional de Imunizações é exatamente essa, que a vacinação comece na maternidade com duas vacinas: a BCG, vacina contra a tuberculose, e a vacina contra hepatite B.
São vacinas injetáveis. A BCG é aplicada por via intradérmica e a vacina contra hepatite, no músculo da coxa do bebê.
Drauzio – Todas as crianças brasileiras recebem essas duas vacinas?
Gabriel Oselka – Eu diria, sem receio de errar, que o sucesso alcançado pelo Programa Nacional de Imunizações se deve, entre outras razões, ao número elevadíssimo de coberturas vacinais. Cobertura vacinal significa a porcentagem de crianças que efetivamente recebe as vacinas. No caso específico da BCG e da vacina contra a hepatite B, bem mais de 90% das crianças são vacinadas contra essas doenças no Brasil.
Drauzio – E as crianças que nascem em casa nesses rincões do Brasil, como se garante que serão vacinadas?
Gabriel Oselka – Felizmente, esses casos têm sido reduzidos substancialmente ao longo dos anos. Quando a vacina não é feita na maternidade, a recomendação é que a criança seja levada o mais depressa possível a um centro de vacinação para receber as doses iniciais e que o programa sequencial de vacinação seja mantido.
Drauzio – Quando a mãe sai da maternidade com o bebê, pode ficar tranquila porque o bebê já tomou essas duas vacinas?
Gabriel Oselka – Infelizmente não é tão simples assim, porque nem todas as maternidades adotam a conduta de vacinação nos primeiros dias de vida da criança. Eu diria que esse é um objetivo de médio prazo para o Ministério da Saúde. Por isso, cabe às mães a iniciativa de perguntar se a criança tomou ou não as duas vacinas. Embora essa informação devesse fazer parte da rotina dos hospitais, nem sempre ela é fornecida.
Portanto, repito: se a criança não tomou as vacinas na maternidade, deve ser levada com uma ou duas semanas de vida a um posto de saúde para que o programa de vacinação seja iniciado logo.
Drauzio – Vamos admitir que a criança tenha tomado as vacinas contra a tuberculose (BCG) e contra a hepatite B na maternidade. Quando deve tomar as doses de reforço?
Gabriel Oselka – No Estado de São Paulo, BCG é dado em dose única, mas em muitos outros estados recomenda-se a aplicação de uma segunda dose na idade escolar, ou seja,  a partir dos 6 ou 7 anos até os 10 anos de idade.
Em relação à vacina contra a hepatite B, são necessárias mais duas doses para garantir o efeito desejado: a segunda aos dois meses e a terceira aos seis meses. Esse esquema de três doses tem validade por toda a vida, isto é, a proteção da vacina contra hepatite B é definitiva.
ESQUEMA DE VACINAÇÃO
Drauzio – Quais são as outras vacinas que a criança deve tomar nesse começo de vida?
Gabriel Oselka – A sequência do esquema de vacinação envolve, aos dois meses de idade, a vacina tetravalente, que consta da vacina tríplice contra difteria (ou crupe), coqueluche (ou tosse comprida) e tétano e que já é aplicada há décadas no Brasil, e da vacina contra a bactéria chamada Haemophilus influenzae, pouco conhecida pela população e mesmo pelos médicos, mas que causa doenças graves, como meningite e pneumonia, em criança pequena. Essa vacina foi acrescentada recentemente ao programa de vacinação e é aplicada junto com a tríplice numa única injeção. Geralmente nesse mesmo dia, a criança recebe a vacina Sabin contra a poliomielite, a famosa gotinha dada por boca.
A proteção que essas vacinas oferecem não se completa na primeira dose. São necessárias doses adicionais. A vacina tríplice requer mais duas doses no primeiro ano de vida, aos quatro e aos seis meses, um reforço quando a criança tem um ano e meio e outro por volta dos cinco anos.
Quanto à vacina contra o Haemophilus influenzae, o programa brasileiro prevê apenas a aplicação de três doses: a primeira aos dois meses, a segunda aos quatro e a terceira aos seis meses.
Em relação à vacina oral contra a poliomielite, ela segue o mesmo esquema da tríplice: a segunda dose aos quatro meses, a terceira aos seis meses, um reforço com um ano e meio e último aos 5, 6 anos.
Drauzio – Os pais das crianças precisam ter esse cronograma na cabeça?
Gabriel Oselka – Não precisam, mesmo porque o esquema não se limita a isso. Há outras vacinas. O serviço de saúde conta com diferentes mecanismos para lembrar as pessoas de que as vacinas têm uma sequência a ser obedecida. Apesar disso, às vezes, a data prevista para a vacinação é perdida. Nesse caso, é importante frisar que as doses anteriores não perdem a validade. Por exemplo: foi dada a dose inicial das vacinas tetravalente e da Sabin aos dois meses de idade. A segunda dose deveria ter sido dada aos quatro meses, mas, por uma razão qualquer, a mãe só pôde levar a criança ao posto quando tinha oito meses. Nesse momento, ela tomará a segunda dose e será marcada a data para aplicar a terceira. Um atraso pequeno não interfere no processo. Quando a criança completar o número de doses recomendado, a imunização provavelmente será tão boa quanto seria se os intervalos entre uma aplicação e outra tivessem sido respeitados.
OUTRAS VACINAS IMPORTANTES
Drauzio – Além das vacinas BCG, contra a hepatite B, da tetravalente e da Sabin, a criança deve receber outras vacinas?
Gabriel Oselka – Nas regiões consideradas endêmicas, ou seja, onde a doença existe e ocorre sistematicamente (regiões Centro-Oeste e Norte, no Estado de Minas Gerais e em algumas poucas localidades de outros estados brasileiros), a recomendação é fazer a vacina contra a febre amarela a partir dos nove meses de idade. Em alguns lugares, ela é feita quando a criança tem por volta de um ano. Embora se acredite que a proteção que determina seja de mais longa duração, recomenda-se que a vacina contra a febre amarela seja repetida a cada dez anos.
Faz parte também do programa de vacinação infantil uma vacina combinada contra sarampo, caxumba e rubéola, importante não só por sua eficácia, mas também pela gravidade das doenças que pretende proteger, particularmente o sarampo que até alguns anos atrás era o principal agente infeccioso causador de mortes em crianças. Essa doença está tão controlada que as gerações mais jovens, num futuro próximo, talvez nem saibam que doença é essa nem os danos que pode causar.
Drauzio – Não faz muito tempo, o sarampo era considerado uma doença banal que acometia as crianças.
Gabriel Oselka – Era considerada banal, embora seja potencialmente uma doença muito grave a ponto de, não faz muito tempo, ser a principal causa de morte nas crianças brasileiras, o que acontece ainda hoje em muitas regiões do mundo.
No Brasil, a vacinação contra o sarampo obteve um resultado extraordinário. Desde o ano 2000, não há registro de casos da doença adquirida no país. Os pouquíssimos que existem foram adquiridos no exterior. Se me dissessem, há dez anos, que isso iria acontecer, eu não acreditaria.
Drauzio – Na minha geração, sarampo era uma doença praticamente obrigatória nas crianças.
Gabriel Oselka – A doença é tão contagiosa – essa é uma das características do sarampo – que era praticamente certo que a criança teria sarampo antes de chegar à puberdade.
Drauzio – Você acha que vamos eliminar o sarampo do cenário nacional com esse programa de vacinação?
Gabriel Oselka – Acredito que sim. O sarampo tem uma característica que permite sua eliminação. Ele só acomete seres humanos, ou seja, não existem reservatórios em animais ou na natureza que abriguem o agente infeccioso. Isso significa que, se conseguirmos proteger as pessoas, a doença poderá ser erradicada.  É o que aconteceu com a varíola e está acontecendo com a poliomielite no Brasil.
Nas Américas, o controle do sarampo é muito efetivo e, embora existam muitos casos no mundo, acredito que será possível controlá-lo completamente.
Drauzio – Em que idade deve ser administrada a vacina contra sarampo, rubéola e caxumba?
Gabriel Oselka – A partir de um ano de idade. Em 2003, o Ministério da Saúde recomendou que a segunda e última dose, fosse dada por volta dos cinco anos, ou um pouco antes, para garantir que as pouquíssimas crianças que não se protegeram com a primeira dose tenham uma segunda chance para defender-se contra essas doenças.
Essa decisão foi tomada porque ainda não existe vacina que seja totalmente eficaz. Embora estejamos muito perto de consegui-la, não há garantia absoluta de que a pessoa vacinada não contraia a doença, se entrar em contato com o micróbio causador da enfermidade.
HORA DO REFORÇO
Drauzio – Que vacinas devem ser administradas depois que a criança fez um ano?
Gabriel Oselka – Depois dessa idade, é preciso fazer alguns reforços como o da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola aos cinco anos e o da tríplice, quando a criança tem um ano e meio e, mais tarde, aos cinco anos. Em relação à poliomielite, feito o reforço dos cinco anos, não há mais necessidade de repeti-lo.
Recomenda-se também o reforço da vacina dupla contra difteria e tétano a cada dez anos. Portanto, quem seguiu rigorosamente o esquema terá feito um reforço aos cinco anos e deve repeti-lo aos 15, 25, 35, e assim sucessivamente. A vacina contra a febre amarela também requer doses de reforço a cada dez anos, especialmente nas regiões onde há risco da doença.
Para as outras vacinas do esquema não se recomendam reforços. A da hepatite B, por exemplo, termina com as três doses dadas antes de a criança completar um ano.
VACINAS FORA DO ESQUEMA
Drauzio – Essas vacinas constituem um pacote absolutamente obrigatório para todas as crianças e, felizmente, podemos contar com o Programa Nacional de Imunizações, citado como exemplo no mundo todo, que garante vacinação para a imensa maioria das crianças brasileiras. No entanto, hoje existem vacinas que não fazem parte desse esquema básico. Quais delas você incluiria no Programa?
Gabriel Oselka – Esse é o grande desafio do Programa Nacional de Imunizações que vem progressivamente implantando novas vacinas e ampliando seu espectro de cobertura.
Há alguns anos, foram introduzidas as vacinas contra hepatite B e contra o Haemophilus influenzae. No entanto, existem outras vacinas disponíveis comercialmente que ainda não foram incluídas no esquema. Na verdade, o fator limitante para sua inclusão é a disponibilidade de recursos. São vacinas muito caras e que ainda não são produzidas no Brasil. No momento, o desafio do Programa Nacional de Imunizações é tornar disponível para toda população infantil as vacinas contra o pneumococo, o meningococo C, a varicela ou catapora e contra a hepatite A.
Sem respeitar uma ordem de prioridade, eu citaria a vacina contra o pneumococo, diferente da que se usa em idosos e em pessoas com doenças pulmonares e cardíacas.
Essa vacina poderia ser dada a partir dos dois meses de idade para proteger contra formas graves de doenças causadas por essa bactéria, especialmente meningite e pneumonia. A vacina contra o meningococo C, que também pode ser administrada depois dos dois meses, oferece proteção contra a meningite C.
Além dessas, duas vacinas importantes podem ser dadas a partir de um ano de idade: a vacina contra catapora e a vacina contra a hepatite A, uma doença mais benigna do que a hepatite B, que se adquire em alimentos contaminados e no contato interpessoal.
VACINA CONTRA CATAPORA
Drauzio – Muita gente não sabe que existe vacina contra catapora.
Gabriel Oselka – Muita gente não sabe, mas muita gente sabe e acha que não vale a pena tomar a vacina porque catapora é uma doença benigna. Lamentavelmente, muitos médicos também pensam assim e transmitem esse conceito para seus pacientes.
Embora catapora seja uma doença habitualmente benigna, é impossível prever num caso específico, no seu filho, por exemplo, se a doença vai ser benigna ou não.
Há um mito que de certa forma tranquiliza as pessoas – “Ah, meu filho é bem cuidado, bem nutrido, não vai ter nada disso. Doença grave não é para gente forte como meu filho”.
Quanto engano! Não é assim que as coisas acontecem. Em 2003 e começo de 2004, só no Estado de São Paulo, ocorreram 40 mortes de crianças por varicela, ou catapora, porque a doença ocorre em larguíssimos números todos os anos. Complicações hepáticas, neurológicas e respiratórias podem estar associadas a essa doença. Além disso, as feridinhas banais da catapora podem ser infectadas por bactérias agressivas e produzir uma infecção generalizada gravíssima conhecida por septicemia.
É importante salientar que praticamente todas as mortes causadas pelas complicações decorrentes da catapora poderiam ter sido evitadas se pudéssemos vacinar todas as crianças.
PROTEÇÃO PARALELA
Drauzio – Vacinas contra o Haemophilus influenzae, contra o pneumococo e contra o meningococo protegem as crianças de uma série de infecções menores como otites, amidalites e infecções das vias aéreas superiores?
Gabriel Oselka – Esse é um ponto importante para salientar. O objetivo principal dessas vacinas é proteger contra as formas mais graves da infecção, mas de certo modo elas atuam sobre as formas mais benignas. Talvez o exemplo mais notável seja o da vacina contra o pneumococo, bactéria que também causa otite (inflamação do ouvido). Embora a eficácia de proteção para essa enfermidade não seja a mesma da proteção contra pneumonia e meningite, se conseguirmos reduzir um pequeno porcentual dessas infecções, o impacto na população será enorme.
Isso aparentemente a vacina contra o pneumococo consegue fazer. Ela consegue diminuir a incidência de otite em 6% ou 7% da população. Se lembrarmos que a otite é uma das infecções mais frequentes nas crianças e uma das razões mais importantes para a prescrição de antibióticos, com todas as consequências, inclusive de custo, que isso acarreta, 6% ou 7% de proteção representam um avanço considerável.
GRUPOS ANTIVACINAS
Drauzio – A primeira vez que li que ainda hoje existem grupos contrários à utilização de vacinas, fiquei surpreso. Era como ter encontrado pessoas que são contra a utilização da luz elétrica.
Gabriel Oselka – Felizmente, no Brasil, esses grupos são pouco ativos, mas existem alguns países, particularmente na Europa, em que a atuação dos grupos antivacinas tem representado um problema sério, não para os médicos nem para o serviço de saúde que prescrevem a vacina, mas para as crianças que deixam de ser vacinadas por falsas noções que esses grupos defendem.
O exemplo mais preocupante que se tem no momento é o do Reino Unido, onde se espalhou o conceito de que a vacina combinada, aquela contra sarampo, caxumba e rubéola, seria a causa de autismo, uma doença grave e dramática. Depois que essa afirmação destituída de qualquer base científica foi divulgada pela imprensa leiga e até por alguns médicos que entraram na confusão, surgiram inúmeros trabalhos de grande extensão, realizados em diferentes partes do mundo, mostrando categoricamente que a afirmação é falsa. Entretanto, nos últimos cinco ou seis anos, as coberturas vacinais, que eram elevadíssimas no Reino Unido, caíram muito e estão aumentando os casos de sarampo. As coisas chegaram a tal ponto que o governo se viu obrigado a adotar medidas agressivas para inverter a situação, até agora com sucesso parcial.
Dizer que as vacinas são destituídas de qualquer risco seria uma mentira, uma temeridade. Não há remédio que seja absolutamente inócuo. No entanto, creio que as vacinas utilizadas rotineiramente nos programas de vacinação incluem-se entre os produtos médicos de maior segurança.
Drauzio – É sempre importante repetir que as vacinas são extremamente seguras.
Gabriel Oselka – São extremamente seguras e é muito raro provocarem reações graves. Na verdade, hoje estamos vivendo um paradoxo. As vacinas são de certa forma vítimas de seu próprio sucesso, porque as pessoas acabam perdendo a memória do que as doenças representavam antes de serem controladas pela vacinação e saem por aí dizendo: “Por que vou tomar vacina contra sarampo, por exemplo, já que a doença nem mais existe?”.
Se todos pensarem assim, o sarampo volta e repete o estrago que fazia. E não é só ele. Voltam a tosse comprida e o crupe que eram causa de morte em crianças, mortes que foram evitadas porque se controlou a incidência dessas enfermidades exclusivamente com a utilização das vacinas.
Drauzio – Na minha infância, quando o filho acordava com uma febrícula, queixando-se de dores musculares, as mães ficavam apavoradas, temendo que a criança estivesse com poliomielite. Felizmente, essa neurose desapareceu depois do programa de vacinação em massa contra a paralisia infantil.
Gabriel Oselka – Talvez a paralisia infantil seja a única doença que ainda conserva uma memória coletiva das consequências que provocava, porque as campanhas de vacinação ainda utilizam as imagens dramáticas de crianças que tiveram poliomielite, mas os jovens provavelmente não tenham a dimensão do que o problema representava. Até o começo da vacinação em massa contra a poliomielite em 1980, tínhamos no Brasil mais de mil casos notificados da doença o que sugere existir um número maior de casos não notificados pelo País afora. A utilização da vacina em larga escala nos dias nacionais de vacinação e nos programas rotineiros fez com que a partir de 1889 não houvesse um caso sequer de poliomielite. Não há dúvida de que a doença foi erradicada do Brasil graças à aplicação da vacina.

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Toxoplasmose


Toxoplasmose é uma doença infecciosa, congênita ou adquirida, causada por um protozoário chamado Toxoplasma gondii, encontrado nas fezes dos gatos e outros felinos. Homens e outros animais também podem hospedar o parasita.
A toxoplasmose pode ser adquirida pela ingestão de alimentos contaminados — em especial carnes cruas ou mal passadas, principalmente de porco e de carneiro, e vegetais que abriguem os cistos do Toxoplasma, por terem tido contato com as fezes de animais hospedeiros ou material contaminado por elas mesmas.
A toxoplasmose pode ser transmitida congenitamente, ou seja, da mãe para o feto, mas não se transmite de uma pessoa para outra.
Seu diagnóstico é feito levando em conta exames clínicos e exames laboratoriais de sangue.
Sintomas
A toxoplasmose pode ser uma doença absolutamente assintomática ou provocar quadros graves no miocárdio, fígado e músculos, encefalite e exantema máculo-papular (vermelhidão pelo corpo em forma de pequenas manchas e pápulas).
No caso de haver sintomas, merecem destaque:
* Febre;
* Manchas pelo corpo;
* Cansaço;
* Dores no corpo;
* Linfadenopatia, ou seja, ínguas espalhadas pelo corpo;
* Dificuldade para enxergar que pode evoluir para cegueira;
* Lesões na retina.
Tratamento
Em caso de pacientes soropositivos, o tratamento é indispensável, pois a forma disseminada da doença pode envolver retina, pulmões, cérebro, pele, músculos, fígado e coração. Pacientes com Aids requerem tratamento e atenção especial para controlar a progressão da depressão imunológica associada à doença.
Recomendações
* Evite contato com fezes de animais, especialmente de gatos ou outros felinos;
* Tenha cuidado com a higiene das mãos e dos utensílios de cozinha quando estiver lidando com alimentos;
* Não coma carne mal passada nem vegetais mal lavados;
* Não se descuide do acompanhamento pré-natal, se você estiver grávida. Toxoplasmose é uma enfermidade grave durante a gestação;
* Gestantes precisam estar atentas, principalmente se tiverem contato com gatos. Medidas especiais de higiene são fundamentais nesses casos.


Fonte: Dr. Drauzio Varella
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