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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Estratégias alimentares



Por Drauzio Varella
Estamos em plena epidemia de obesidade. Contam-se aos milhões as mulheres e homens obesos, até em países pobres. Nos Estados Unidos e Canadá, três em cada quatro habitantes estão acima do peso saudável; no México e no Egito, cerca de 60%; no Brasil, metade da população.
Perder peso é tarefa inglória, porque a medicina tem pouco a oferecer, e porque a evolução selecionou entre nossos ancestrais aqueles dotados de organismos capazes de fazer bom uso de cada caloria ingerida. Quando nos esforçamos para emagrecer, o cérebro faz mil peripécias para que voltemos ao peso original.
Na coluna de hoje, vou resumir um trabalho conduzido em Israel, entre julho de 2005 e junho de 2007. Nesse período, 322 funcionários de um centro de pesquisas (277 homens e 45 mulheres) foram sorteados para adotar uma das três dietas:
1) Pobre em gorduras, com restrição calórica.
Obediente às normas da Associação Americana de Cardiologia, limitou o consumo diário: 1.500 calorias para as mulheres; 1.800 calorias para os homens. A composição das refeições foi ajustada para que 30% das calorias viessem das gorduras, 10% das gorduras saturadas e o restante de vegetais, frutas, legumes e grãos de baixo conteúdo gorduroso.
2) Mediterrânea, com restrição calórica.
Rica em vegetais, restringiu a ingestão aos mesmos limites calóricos da anterior (1.500 e 1800) e substituiu a carne vermelha por frangos e peixes. Permitiu consumir 30 a 45 gramas de óleo de oliva, e até cinco a sete nozes, amêndoas ou castanhas de caju por dia.
3) Pobre em carboidratos, sem qualquer restrição calórica.
Baseada na dieta de Atkins, liberou os participantes para comer à vontade, desde que não ingerissem mais de 20 gramas de carboidratos nos primeiros dois meses; com aumento gradual até o máximo de 120g, daí em diante.
Para fazer parte da pesquisa, era preciso ter idade entre 40 e 65 anos, índice de massa corpórea (IMC = peso dividido pela altura elevada ao quadrado) igual ou maior do que 27, ou ser portador de diabetes ou de doença coronariana, independentemente da idade e do IMC.
Os participantes tinham em média 52 anos. O IMC médio era igual a 31, valor que cai na faixa da obesidade.
Em Israel, como no Brasil, o almoço é a principal refeição. No refeitório do centro em que todos trabalhavam, cada item servido trazia um rótulo com o número de calorias e a proporção de carboidratos, gordura saturada e não saturada.
No decorrer do estudo, foram realizados exames de sangue e controles periódicos do peso corpóreo, circunferência abdominal, IMC e pressão arterial.
No final dos dois anos, a aderência disciplinada a cada regime alimentar manteve-se elevada: 90% no primeiro grupo, 85% no segundo e 78% no terceiro.
Houve aumento de atividade física e redução significativa do número de calorias ingeridas nos três grupos, sem maiores diferenças entre eles. A perda de peso máxima aconteceu nos seis primeiros meses (fase de indução). Do sétimo mês em diante, ocorreram pequenos ganhos seguidos de estabilização (fase de manutenção).
Depois de dois anos, os componentes do primeiro grupo perderam em média 2,9 kg. No segundo, a perda foi de 4,4 kg. E, no terceiro, 4,7 kg.
Nos três grupos houve diminuições semelhantes da circunferência abdominal e da pressão arterial. HDL, a fração protetora do colesterol, aumentou mais significativamente no grupo 3. LDL, o “mau colesterol”, não sofreu variações apreciáveis em nenhum dos grupos.
Entre os 36 diabéticos do estudo, os níveis de açúcar no sangue (glicemia) aumentaram no grupo 1 e caíram significativamente nos que adotaram a dieta Mediterrânea.
A dieta Atkins modificada apresentou resultados melhores nos controles de colesterol e triglicérides.
Pequenas reduções de peso podem causar impactos metabólicos significantes. Perder 5% da massa corpórea, muitas vezes é suficiente para fazer a pressão arterial e a glicemia voltar à faixa da normalidade sem necessidade de medicamentos.
O estudo israelense demonstra que diversas estratégias alimentares podem ser adotadas no combate às complicações da obesidade. Elas devem respeitar preferências e limitações pessoais. Para os diabéticos e aqueles que não se dão bem com alimentos gordurosos, está mais indicadas a dieta mediterrânea. Para os que odeiam passar fome, as dietas do tipo Atkins podem representar alternativa razoável.

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