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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sudorese excessiva (Hiperidrose)


O corpo humano possui mecanismos para regular sua temperatura e necessita transpirar mais ou menos conforme a temperatura ambiente, ou como forma de eliminar calor quando praticamos exercícios físicos. Eventualmente, há uma disfunção desses mecanismos e teremos então a hiperidrose. Ela ocorre em cerca de 1% da população, trazendo importante desconforto a essas pessoas do ponto de vista social. O indivíduo tende a se retrair, pois constrange-se ao contato físico com as pessoas e um simples aperto de mão torna-se um problema. Há dificuldades profissionais ao manusear papéis e outras atividades. A hiperidrose pode ocorrer como conseqüência do hipertireoidismo, de distúrbios psiquiátricos, de menopausa ou da obesidade. Devemos então afastar essas possibilidades que teriam tratamento clínico, e caso não haja indícios dessas patologias, estaremos diante de Hiperidrose Primária, cujo tratamento será cirúrgico, hoje realizado por moderna técnica pouco invasiva e muito precisa, chamada Simpatectomia Torácica Videotoracoscópica.

O início dos sintomas pode ocorrer na infância, na adolescência ou somente na idade adulta, por razões desconhecidas. Eventualmente, podemos encontrar história familiar. Os pacientes referem sudorese constante, às vezes, inesperada, mas a maioria deles relata fatores agravantes. Os fatores desencadeantes da sudorese excessiva são o aumento da temperatura ambiente, o exercício, a febre, a ansiedade e a ingestão de comidas condimentadas. Geralmente, há melhora dos sintomas durante o sono. O suor pode ser quente ou frio. Pode afetar todo o corpo ou apenas a região palmar das mãos, planta dos pés, axilas, região inframamaria, inguinal ou cranio-facial. Quando a hiperidrose é intensa, a pele pode apresentar fissuras; se nas axilas, haverá odor fétido.

Tratamento clínico

Uso de antiperspirantes e adstringentes (cloreto de alumínio em álcool etílico, solução de glutaraldeído 2%, etc.): esses produtos devem ser aplicados sobre a pele seca, após banho frio, imediatamente antes de se deitar. Apresentam o inconveniente de causar dermatite de contato ou deixar a pele com coloração amarelada.
Uso de talco ou amido de milho natural (para os casos mais leves): deve ser aplicado entre os dedos, sob as mamas ou em pregas da pele.
Banho com sabonete desodorante: seu uso prolongado pode levar à dermatite. Não calçar o mesmo par de sapatos por dois dias seguidos; utilizar palmilhas absorventes, que devem ser substituídas freqüentemente.
Tratamento medicamentoso, com drogas antidepressivas, ansiolíticas e anticolinérgicas: essas drogas proporcionam apenas alívio parcial e apresentam efeitos colaterais importantes e indesejáveis, como alteração da visão, boca seca, problemas urinários, sedação e outros.
Iontoforese, biofeedback e psicoterapia.
6. Injeções locais de toxina botulínica (existem várias marcas), com duração de 4-6 meses e uso limitado a áreas de pequena extensão, o que torna rara a indicação desse método.

Os tratamentos clínicos disponíveis são falhos na medida em que não são definitivos, alguns são desagradáveis e mais dispendiosos quando temos de repeti-los periodicamente.

Tratamento Cirúrgico

Através da videocirurgia torácica (videotoracoscopia), com a qual a agressão é mínima, a segurança no ato é grande e o resultado é ótimo, com duas pequenas incisões de cerca de 1cm e o auxílio de um sistema de vídeo, podemos interromper a condução nervosa responsável pelo problema e o resultado é imediato. A simpatectomia torácica é utilizada no tratamento da hiperidrose palmar e axilar, tem resultados positivos também para distrofia simpática reflexa (síndrome dolorosa dos membros superiores), em casos selecionados de problemas circulatórios graves de membro (doença vascular periférica embólica ou aterosclerótica), doença de Raynaud (caracterizado por dor e má-circulação dos membros) e outras. Os melhores resultados são encontrados no tratamento da hiperidrose primária. Os pacientes portadores de hiperidrose primária grave, geralmente, já tentaram inúmeros tipos de tratamento conservador, com dermatologistas e psiquiatras.

O procedimento está contra-indicado nos pacientes portadores de hiperidrose secundária, nos pacientes portadores de insuficiência respiratória ou cardiovascular grave e nos pacientes com seqüela de doença pleural (tuberculose, empiema).

Técnica Operatória

O paciente pode ser internado no dia da operação. Inicialmente, ele é monitorizado e, sob anestesia geral, realizamos cauterização da cadeia simpática (responsável pelo suor). O equipamento necessário para a operação consiste de uma óptica rígida de 5 a 10mm de diâmetro, câmera e o monitor de vídeo para visualizar o campo operatório. O instrumento utilizado, via de regra, é o eletrocautério ou bisturi ultra-sônico. Na operação, são necessários apenas dois pequenos cortes de 1cm cada um, nos quais introduzimos os instrumentos necessários para realizá-la.

Pós-Operatório

A dieta é liberada tão logo o paciente esteja recuperado da anestesia e pode receber alta no dia seguinte à operação ou no mesmo dia conforme o horário da cirurgia. Poderá retornar às suas atividades habituais dentro de poucos dias, no máximo em 10 dias. As cicatrizes são muito pequenas, quase imperceptíveis.

Resultados Cirúrgicos

Os resultados são imediatos. As extremidades superiores (membros superiores e axilas) encontram-se secos e quentes, assim que o paciente recupera-se da anestesia em 95% dos casos. Os pacientes referem que pela primeira vez, em muitos anos, as mãos estão secas e quentes. Em 50% das vezes, o mesmo ocorre em relação à hiperidrose plantar e craniofacial. Os resultados são, geralmente, permanentes e a melhora na qualidade de vida é indiscutível. O índice de satisfação chega a 98%.

Efeitos Colaterais e Complicações

Em 20 a 50% dos pacientes, pode ocorrer hiperidrose compensatória. Trata-se de um aumento da sudorese em outras partes do corpo, geralmente, no dorso e no tórax anterior. Provavelmente, representa uma resposta termo-reguladora do organismo. Essa condição é tolerável para maioria dos pacientes. Na maioria dos casos, o quadro melhora com o passar do tempo (aproximadamente 6 meses) ou o paciente aprende a conviver com ela. A síndrome de Claude-Bernard-Horner (pálpebra caída, olhos encovados e pupilas contraídas permanentemente) é complicação extremamente rara. O pneumotórax (permanência de ar residual nas pleuras) no pós-operatório é uma complicação possível, que na maioria das vezes, resolve-se espontaneamente (é absorvido), não necessitando intervenção específica. O hemotórax, a lesão do tecido pulmonar e do plexo braquial (complexo nervoso responsável pelos membros superiores) e a infecção dos cortes realizados também são complicações possíveis, embora muito raras.

Conclusão

A simpatectomia videotoracoscópica tem se mostrado o único método eficaz para curar a hiperidrose moderada e grave de mãos e faces. É o método de escolha, especialmente se outras opções terapêuticas já foram testadas, sem resultado satisfatório. Constitui-se, também, em método eficaz para o tratamento do "blushing facial", ou seja, rubor e sudorese excessiva na face. A técnica endoscópica é extremamente segura e eficaz, pois conduz à cura definitiva em quase 100% dos casos.

Fonte: ABC da Saúde
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